Senadores concluíram votação em
dois turnos da proposta.
PEC obriga governo a pagar emenda ao Orçamento feita por parlamentar.
PEC obriga governo a pagar emenda ao Orçamento feita por parlamentar.
O Senado
Federal aprovou em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do
chamado Orçamento Impositivo, que obriga o governo a liberar verbas para
despesas inseridas por deputados e senadores no Orçamento da União, as emendas
parlamentares individuais. Para entrar em vigor, a matéria ainda terá de ser
votada pela Câmara dos Deputados e depois promulgada.
O texto, aprovado por 51 votos a
8, tem como principal novidade a obrigatoriedade do pagamento das emendas
parlamentares individuais, que geralmente são direcionadas para os redutos eleitorais
de senadores e deputados.
A Lei Orçamentária (que prevê
receitas e despesas do governo federal), da forma como é hoje, autoriza
despesas decorrentes das emendas, mas não impõe a liberação dos recursos. Por
isso, o governo pode cumprir ou não gastos que não são obrigatórios.
A PEC do Orçamento Impositivo
também determina que 50% das emendas parlamentares sejam destinadas para a área
da saúde. O governo teve que negociar esse percentual com os deputados, que
queriam vinculação menor, de 40%. Em troca, o Planalto aceitou aumentar o valor
das emendas parlamentares previsto pela PEC.
Ficou decidido que o governo será
obrigado a pagar em emendas o valor correspondente a 1,2% da Receita
Corrente Líquida da União (soma do que o governo arrecada, descontados repasses
para Estados e municípios), o que deverá totalizar, segundo cálculos do
governo, R$ 8,1 bilhões ao ano.
Atualmente, cada parlamentar pode
indicar até R$ 15 milhões em emendas, que não são necessariamente liberadas.
Com o orçamento impositivo, cada um terá direito a um valor menor (R$ 13,8
milhões), mas com liberação garantida.
O texto aprovado pelos senadores
foi negociado com o governo e com lideranças da Câmara. A intenção é fazer com
que passe pelos dois turnos de votação na Câmara dos Deputados sem sofrer
alterações. Caso contrário, terá de retornar para a análise do Senado. O texto
que havia sido aprovado
pelos deputados em agosto não reservava nenhum percentual das emendas para a
área da saúde.
Todos nós defendemos mais recurso
para a saúde. “O importante é saber se esses recursos têm fonte orçamentária
viável, segura, para que nós possamos aqui estar apresentando uma emenda que
não represente um cheque sem fundo.”
Eduardo Braga (PMDB-AM), líder do governo no Senado.
Gasto mínimo em saúde
A PEC do Orçamento Impositivo também fixa em 15% o percentual mínimo da receita corrente líquida que a União terá que destinar à saúde até 2018. Atualmente, a União é obrigada a aplicar na área o montante do ano anterior somado à variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). Os estados devem destinar 12% de sua receita tributária e os municípios, 15%.
A PEC do Orçamento Impositivo também fixa em 15% o percentual mínimo da receita corrente líquida que a União terá que destinar à saúde até 2018. Atualmente, a União é obrigada a aplicar na área o montante do ano anterior somado à variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). Os estados devem destinar 12% de sua receita tributária e os municípios, 15%.
Pela proposta do Orçamento
Impositivo, até 2018 o governo deverá aplicar 15% da Receita Corrente Líquida
para a saúde de forma escalonada. Dentro desse montante, estarão verbas das
emendas parlamentares, recursos dos royalties do pré-sal e os repasses do
tesouro. Segundo o relator Eduardo Braga (PMDB-AM), o percentual representará
R$ 64 bilhões ao final de cinco anos.
Percentual maior não passa
Durante a votação, alguns senadores tentaram aumentar de 15% para 18% o percentual da Receita Corrente Líquida que a União ficará obrigada a aplicar em saúde. Foi o caso do paraibano Cícero Lucena (PSDB), que apresentou uma emenda sobre o assunto.
Durante a votação, alguns senadores tentaram aumentar de 15% para 18% o percentual da Receita Corrente Líquida que a União ficará obrigada a aplicar em saúde. Foi o caso do paraibano Cícero Lucena (PSDB), que apresentou uma emenda sobre o assunto.
Segundo o tucano, com o
escalonamento aprovado, o governo aplicará valor inferior ao já destinado para
a área em 2012. “Isso é manipulação de informação, é querer enganar o povo que
tanto está precisando de saúde”, disse durante votação em primeiro turno nesta
terça.
“Hoje, é mais uma demonstração
clara de que o Senado da República não cumpre com suas prerrogativas, não
respeita os interesses dos entes federados que aqui deveriam estar pautados.”
Aécio Neves, senador (PSDB-MG)
A proposta, que também diminuía
de cinco para quatro anos o prazo que o governo teria para alcançar o
percentual de 18%, obteve 34 votos favoráveis e 23 contra, mas acabou rejeitada
porque não alcançou o mínimo de votos necessários para emendas constitucionais
(49).
“Todos nós defendemos mais
recurso para a saúde. O importante é saber se esses recursos têm fonte
orçamentária viável, segura, para que nós possamos aqui estar apresentando uma
emenda que não represente um cheque sem fundo”, disse o líder do governo,
Eduardo Braga (PMDB-AM) ao pedir pela rejeição da emenda de Lucena.
O senador Aécio Neves (MG),
presidente do PSDB e possível candidato à Presidência da República em 2014,
criticou o percentual de 15%. Segundo ele, o senado sucumbiu à “mão pesada” do
governo.
“Hoje, é mais uma demonstração
clara de que o Senado da República não cumpre com suas prerrogativas, não
respeita os interesses dos entes federados que aqui deveriam estar pautados”,
disse o tucano.
Gilmar Soares
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